Você recebe a imagem de um palco, abre o Resolume e cria uma composição Full HD. Só depois descobre que o painel é muito mais largo, que há faixas separadas e que o processador espera outra organização de pixels. A correção começa onde o planejamento deveria ter começado: nas informações da estrutura.
Antes de produzir ou configurar a saída, descubra quais áreas realmente recebem imagem, como elas estão distribuídas e em que formato o sinal deve chegar. Essa leitura evita decisões baseadas apenas na aparência do palco. Ela também torna a conversa entre criação, operação e equipe de LED muito mais objetiva.
1. Tamanho físico e resolução são informações diferentes
Uma medida em metros descreve o espaço ocupado pelo painel. Uma medida em pixels descreve a quantidade de pontos da imagem. Para preparar o conteúdo, você precisa das duas: a primeira ajuda a entender a presença visual da tela; a segunda orienta as dimensões do arquivo e a organização da reprodução.
Não transforme uma estimativa de largura em uma resolução definitiva. A configuração depende dos módulos efetivamente utilizados e de como a estrutura foi montada. Peça a resolução confirmada de cada área. Se o projeto ainda estiver em negociação, registre a medida como provisória e combine quando o mapa será fechado.
Dimensões físicas, resolução em pixels, desenho com a posição das áreas e especificação do sinal que a operação deverá entregar. Uma foto ajuda a conversar, mas não substitui esses dados.
2. Separe a imagem do palco da imagem enviada ao processador
Imagine três faixas de LED com espaços entre elas. Na visão do público, esses espaços fazem parte do desenho do palco. No sinal enviado ao processador, as áreas podem estar organizadas de outra forma para aproveitar a resolução disponível. Portanto, o desenho cenográfico e o mapa de transporte do sinal não precisam ser idênticos.
No Resolume, o Advanced Output permite distribuir partes da composição pelas saídas. A etapa de seleção de entrada identifica o trecho utilizado; a transformação de saída organiza esse trecho no destino. O recurso disponível depende da edição do software. A documentação detalha essa separação em Input Selection e Output Transformation.
Converse com a equipe usando nomes diferentes para os documentos: por exemplo, “vista do palco” e “mapa de saída”. Essa distinção simples evita que o criador use o arquivo de transporte como se fosse uma fotografia frontal da cenografia.
3. Faça um exemplo pequeno antes de produzir o projeto inteiro
Considere um projeto hipotético com uma tela central de 1.536 × 768 pixels e duas laterais de 384 × 768 pixels. As áreas somam 2.304 pixels de largura se forem colocadas lado a lado sem intervalos. Essa soma é uma referência de trabalho, não uma confirmação de que a saída deve ter exatamente essa resolução.
| Área | Resolução informada | O que confirmar |
|---|---|---|
| Central | 1.536 × 768 px | Conteúdo principal e área de texto |
| Lateral esquerda | 384 × 768 px | Orientação e relação com a central |
| Lateral direita | 384 × 768 px | Espelhamento ou conteúdo próprio |
| Sinal de entrada | A definir com a equipe | Resolução, frequência e organização das áreas |
Antes de animar, produza uma imagem com blocos de cor, identificação de cada área e marcas nos cantos. Confira se o mesmo elemento aparece onde foi combinado. Se houver inversão, recorte ou escala inesperada, ajuste o entendimento do mapa antes de multiplicar o problema em dezenas de arquivos.
4. Escolha a composição de acordo com a estratégia de conteúdo
Você pode criar um conteúdo contínuo para a estrutura ou materiais independentes para cada superfície. A escolha interfere na composição de trabalho, nas áreas reservadas e nas versões necessárias. Em uma abertura com texto, por exemplo, pode ser melhor manter a mensagem no painel central e usar as laterais como apoio visual.
O Resolume permite definir dimensões personalizadas da composição; não é obrigatório limitar todo projeto a um formato comum de televisão. Confira como essa configuração participa do fluxo no manual de composição. A dimensão escolhida deve ter uma razão prática: preservar o conteúdo, simplificar o mapeamento ou atender a uma entrega combinada.
Também defina quais elementos podem atravessar as telas e quais precisam permanecer inteiros. Um rosto ou uma palavra divididos por uma grande distância física costumam exigir um cuidado diferente de uma textura abstrata.
5. Combine o teste com a equipe responsável pelo LED
Uma prévia no computador confirma o arquivo que você produziu. O teste na estrutura confirma o comportamento da cadeia completa. Reserve um momento para conferir a imagem com o painel montado, o processador configurado e o caminho do sinal que será usado no evento.
Se algo estiver errado, descreva o sintoma antes de alterar várias configurações. “O quadrado está alongado em todas as áreas” indica uma investigação diferente de “somente a lateral direita está invertida”. Mude uma variável por vez e mantenha uma imagem de referência conhecida para comparar os resultados.
Checklist antes de abrir a composição definitiva
- Tenho a resolução confirmada de todas as áreas.
- Sei qual documento representa o palco e qual representa a saída.
- Confirmei a orientação e os nomes das telas.
- Combinei onde podem aparecer textos, marcas e elementos importantes.
- Preparei uma imagem de teste identificada.
- Registrei a versão do mapa usada na produção.
- Combinei quando será possível testar a cadeia completa.
Perguntas que aparecem nessa etapa
Posso aproveitar um vídeo 16:9 em um painel muito largo?
Pode ser possível, mas será necessário decidir entre recortar, redimensionar, repetir ou compor o vídeo com outros elementos. Essa escolha tem consequências visuais. Faça uma prévia no formato real e aprove a solução antes de tratar a adaptação como concluída.
O mapa mudou depois que comecei a criar. Preciso refazer tudo?
Depende do que mudou. Uma alteração apenas no transporte pode ser resolvida na distribuição da saída. Uma mudança na proporção ou na área útil pode exigir adaptação do conteúdo. Compare as duas versões e identifique o impacto antes de renderizar novamente.
Quando as informações da estrutura estão claras, o software deixa de ser um lugar para adivinhar o projeto. Ele passa a executar uma decisão que já foi discutida, registrada e testada.
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